Quando ela se recusa a tomar banho
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A recusa quase nunca é teimosia: é medo, frio, vergonha ou perda da noção de tempo.
A recusa de banho é uma das queixas mais comuns e uma das mais mal interpretadas. Para quem vive com demência, o banho envolve tirar a roupa na frente de alguém, sentir água em temperatura estranha, ficar de pé em um piso escorregadio e perder a noção de quando aquilo vai acabar. Nada disso é irracional.
O que costuma funcionar: aquecer o banheiro antes, deixar a roupa limpa visível, manter uma toalha sobre os ombros durante o banho para reduzir a exposição, e nunca perguntar “você quer tomar banho?”, porque a resposta será não. Prefira uma frase afirmativa e curta: “a água já está quentinha”.
Se ela recusar mesmo assim, não insista naquele momento. Um banho pulado não é uma emergência; uma queda no chuveiro durante uma discussão é. Tente de novo em vinte minutos, ou em outro horário do dia em que ela costuma estar mais tranquila. Muitas famílias descobrem que o banho de manhã cedo é impossível e o do meio da tarde é fácil.
